Aqueles apaixonados por samba e carnaval costumam dizer que que não gosta de samba é ruim da cabeça ou doente do pé. Mas o que há de tão absurdo em não gostar de samba? Será que todos gostam de funk? Será que todos gostam de Sertanejo? Será que todos gostam de Rock? Será que todos gostam de Ópera? Que tal eu dizer que quem não gosta de Ópera é zureta do ouvido?
A verdade é que todos têm o direito de gostar do que gostam, e de ouvir o que ouvem. Mas o inverso não é verdadeiro. Eu não tenho o direito de não ouvir samba no carnaval. Neste exato momento um bloco de carnaval está passando em frente ao meu prédio, debaixo da minha janela, que fica no terceiro andar. E o pior, ainda tenho que aguentar o pessoal em cima do carro de som olhando pra dentro do meu apartamento.
E se eu resolvesse patrocinar um bloco de Ópera? Passar por várias ruas do meu bairro tocando Ópera aos berros as 22:00? Será que todos iriam gostar? Será que todos pensariam: "Tudo bem, se um bloco de samba pode fazer isso, um bloco de Ópera também pode...". Acho que não.
Mas tudo bem. Já estou acostumado. Em um país democrático como o nosso, a democracia funciona para aqueles que querem fazer alguma coisa, como um bloco, mas não funciona para aqueles que não estão afim de ter que gritar para conversar com a esposa sentada ao seu lado no sofá.
27 fevereiro 2006
25 fevereiro 2006
Literalmente Enjoado
Tá bom. Basta! Chega. Não agüento mais nego falar besteira na globo. Eu estava aqui, postando em outro blog meu, com a trilha sonora do Samba Paulista na TV atrás de mim, quando ouvi algo que me fez parar tudo que estava fazendo. O Maurício Kubrusly soltou a seguinte pérola: "O grupo U-Dois, que no Brasil é chamado de U-Two...". Olha Só, Maurício Kubrusly. Duvido que em algum país desse planeta a essa banda seja conhecida como algo diferente do que U-Two. Muito menos U-Dois. Fala sério. Nego coloca os caras que não sabe nada de samba, e não tem nada mais importante pra falar, e fica soltando essas frases de gênio. Outro que não agüento é o Luiz Roberto, Narrador esportivo, que castiga os cariocas nas transmissões dos jogos da cidade. Pérolas como "Literalmente afogado" violentam o meu ouvido. Fico aqui imaginando o jogador deitado no campo, com meio metro de água acima dos pés, enchendo os pulmões de água até explodir. Essa é a única forma em que alguém poderia estar "Literalmente Afogado" durante uma partida de futebol.
Por favor, alguém faça esses caras pararem com isso. Meu ouvido não é penico. Claro que eu poderia desligar a TV, mas como eu poderia ver o mengão perder novamente? :)
Por favor, alguém faça esses caras pararem com isso. Meu ouvido não é penico. Claro que eu poderia desligar a TV, mas como eu poderia ver o mengão perder novamente? :)
23 fevereiro 2006
O Plano "B"
Durante algum tempo, uns 2 anos, a frase mais importante da minha vida foi: "Na pior das hipóteses, existe um plano B, e você será incluído nele".
Essa foi a frase na qual eu mais pensava, e incontáveis foram as vezes que eu a ouvia, e a repetia. Repetia sem parar, por acreditar muito nela, ou talvez para me convencer de que eu estava seguro, de que aquilo era a verdade absoluta, e eu não deveria me preocupar. Aos poucos essa frase foi me dominando, me deixando em estado letárgico, enchendo minha mente de uma segurança virtual, e espalhando confiança entre aqueles ao meu redor.
A frase começou a envelhecer, passou a não parecer tão segura, e aos poucos ela foi libertando minha mente, como se estivesse saindo de um vício que a fez adormecer por tanto tempo. Era tarde. O estrago estava feito. Como um viciado que perde o chão quando não consegue mais drogas, eu perdi o meu emprego.
Essa foi a frase na qual eu mais pensava, e incontáveis foram as vezes que eu a ouvia, e a repetia. Repetia sem parar, por acreditar muito nela, ou talvez para me convencer de que eu estava seguro, de que aquilo era a verdade absoluta, e eu não deveria me preocupar. Aos poucos essa frase foi me dominando, me deixando em estado letárgico, enchendo minha mente de uma segurança virtual, e espalhando confiança entre aqueles ao meu redor.
A frase começou a envelhecer, passou a não parecer tão segura, e aos poucos ela foi libertando minha mente, como se estivesse saindo de um vício que a fez adormecer por tanto tempo. Era tarde. O estrago estava feito. Como um viciado que perde o chão quando não consegue mais drogas, eu perdi o meu emprego.
Que País é esse?
14:00, pânico no Catete. A polícia se prepara para invadir o morro Santo Amaro, em resposta ao disparo de tiros de fuzil contra lojas e carros estacionados na rua Pedro Américo. Trânsito parado, carros na contramão, lojistas fechando as portas. Fui até a janela e o que ouvi foi surpreendente: "Passarinhos." Isso mesmo, passarinhos cantando, pessoas andando calmamente pelas ruas, um casal saindo de um Hotel, pessoas na porta do bar. Olhei em direção da Bento Lisboa, e percebi a mesma calma aterrorizante. O que está acontecendo? Que País é esse? Que Mundo é esse? Algumas pessoas estão ficando neuróticas e tentando colocar milhares de pessoas em pânico por causa de apenas "alguns tiros", ou são as outras pessoas que não se importam mais em andar observando rajadas de fuzil passando ao seu lado?
O certo é que hoje cada um se protege como pode desse tipo de notícia. Alguns se trancam em casa, outros encaram as ruas, enquanto outros postam-se na janela a ouvir o canto dos pássaros.
Que País é esse?
O certo é que hoje cada um se protege como pode desse tipo de notícia. Alguns se trancam em casa, outros encaram as ruas, enquanto outros postam-se na janela a ouvir o canto dos pássaros.
Que País é esse?
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