Tenho que confessar que não entendo a lógica de algumas atitudes dos nossos queridos políticos.
Essa semana, ficou pronto o relatório final da CPI dos Correios, que confirma a existência do mensalão, e pede a cassação do mandato de vários deputados. O problema é que o Governo não quer a inclusão da palavra "Mensalão" nesse relatório. Peraí: O Governo tem direito de querer alguma coisa? Além de tentar impedir de qualquer maneira a CPI dos correios, agora quer mudar o relatório final? Se fosse apenas o fato de "querer", não haveria problema. O problema existe quando começa a surgir um acordo entre governo e oposição, que garante a inclusão do termo "mensalão" se alguns nomes de deputados forem retirados da lista de indicados à cassação.
Sinceramente, eu achava que bastava ser culpado, e a CPI provar isso, para sua cassação fosse votada em plenário. Mas a verdade é outra. A verdade é que todos são inocentes, e no jogo de interesses entre o governo e a oposição, algumas peças são sacrificadas em uma justiça "para inglês ver". Ou será que alguma lei diz que contrariar o governo inocenta determinados deputados?
Mas tudo bem. Vamos aceitar que o acordo (ou a pseudo lei) exista, e que para incluir a palavra "Mensalão" no relatório final da CPI dos correios absolva, digamos, 10 deputados. Como são escolhidos os 10 sortudos que escaparão impune? Sorteio pela loteria federal? Vão rifar 10 absolvições? Serão salvos os 10 mais velhos? Os 10 mais novos? Os 10 com maior número de mandatos? Ou com menor número? Os que receberam mais dinheiro do "Valerioduto"? Ou os que receberam menos? Ou quem sabe aqueles que votam sempre com o governo?
A verdade é que cada vez é mais evidente que os escolhidos pelo povo, para defender o povo, trabalham cada vez menos pelo povo, e cada vez mais por interesses políticos.
E uma pergunta fica impregnando minha cabeça. Se é para ser assim, CPI pra que?
Um comentário:
Enquanto isso, na liga da justiça (?!?!)...
"Foi negado terça-feira 21 pela 23ª Vara Criminal de São Paulo o pedido de liberdade provisória movido em favor de Angélica Aparecida de Souza Teodoro, 18 anos, presa em São Paulo desde novembro de 2005 sob acusação de roubar um pote de manteiga no valor de 3,2 reais."
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